O Que é Psoríase e Por Que Ela Pode Afetar Mais Órgãos?

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O que é psioríase

Psoríase é uma doença crônica, não contagiosa, que afeta cerca de 2% da população. No Brasil, a psoríase é mais frequente no Sul e Sudeste, provavelmente devido à menor incidência solar e descendência europeia da população.

A psoríase inicia-se, geralmente, na faixa dos 20 aos 30 anos, em ambos os sexos, e tende a persistir por toda a vida, com períodos de melhora e piora

Sua causa é multifatorial, e passa pela predisposição genética. Cerca de 1/3 dos pacientes têm algum familiar com o problema, e que não necessariamente é passado de pai para filho. O mais comum é se manifestar em outras gerações.

Há diversos fatores que podem ser desencadeantes de crises (também chamados de gatilhos), entre eles estresse, tempo frio, uso de alguns medicamentos (antidepressivos e anti-inflamatórios, por exemplo), infecções, em especial a de garganta, tabagismo e consumo excessivo de álcool.

E há ainda interferência do sistema imunológico no desenvolvimento da patologia. A explicação é que os linfócitos (células responsáveis pela defesa do organismo) liberam substâncias inflamatórias que atacam as células cutâneas saudáveis, fazendo com que elas sejam produzidas em maior quantidade e tenham o seu ciclo evolutivo antecipado.

Tipos de Psoríase

A psoríase pode se manifestar em qualquer parte do corpo, mas tem predileção por algumas: couro cabeludo, cotovelos, joelhos e costas. Sua lesão clássica é uma placa elevada, avermelhada e com escamas esbranquiçadas que de desprendem facilmente.

Elas costumam coçar e doer. Em casos graves, a pele em torno das articulações corre o risco de rachar e sangrar.

Há outros tipos de lesões, como ungueal (afeta as unhas das mãos e dos pés), invertida (atinge, principalmente, áreas úmidas, como axilas, virilhas, embaixo dos seios e ao redor dos genitais) e palmoplantar (acomete mãos, pés e dedos).

Existem também as variantes mais graves da psoríase que são: a pustulosa (forma lesões com pus), a eritrodérmica (se espalha por todo corpo) e a artropática ou artrite psoriásica (causa inflamação nas articulações).

Neste último caso, além dos sintomas tradicionais, é normal ocorrer, nas articulações, inchaço, dor, rigidez progressiva e, se não houver tratamento adequado, destruição óssea e deformidades As áreas mais afetadas são dedos, coluna e quadril.

Complicações da Psoríase

Antes considerada apenas uma doença de pele, hoje se sabe que associada à psoríase podem estar presentes outros quadros.

Um dos quadros muito comuns que atingem portadores de psoríase é a chamada Síndrome Metabólica, que é caracterizada por obesidade, diabetes e pressão arterial elevada.

A probabilidade de pessoas com psoríase terem a Síndrome Metabólica é 5 vezes maior do que a população em geral.

Ainda não se sabe o porque dessa maior predisposição de pessoas com psoríase de acabarem desenvolvendo síndrome metabólica, mas é necessário ter atenção e cuidado com essa população.

Como a psoríase também provoca inflamação crônica generalizada em todo o organismo, os portadores dessa doença também possuem maior risco de terem infarto ou AVC.

Devido a essa inflamação crônica, outros órgãos, portanto, podem ser atingidos, como é o caso do coração.

O que também explica essa situação é o isolamento social decorrente da enfermidade. Como os pacientes evitam sair de casa e interagir com os demais, muitos acabam adotando um estilo de vida pouco saudável, com prejuízos diretos e importantes no organismo

Mais uma característica marcante da psoríase é o impacto que ela tem sobre a saúde mental. É uma doença que causa um sofrimento enorme por causa devido ao preconceito, levando muita gente a desenvolver depressão e ansiedade e precisar de acompanhamento psiquiátrico.

Pessoas sem conhecimento, ao verem as lesões na pele, acham que a doença é contagiosa, portanto acabam afastando o doente. É preciso divulgar o conhecimento que a psoríase não é uma doença contagiosa e que não existe a menor razão lógica de afastar o doente.

Tratamento da Psoríase

O tratamento da psoríase é feito de acordo com o tipo e a gravidade. Nos casos mais leves, com poucas lesões e localizadas, pode-se optar pelo uso de medicamentos externos, como corticosteroides, calcipotriol e ácido salicílico.

Nos moderados e graves, é indicada, como primeira opção, a fototerapia ultravioleta B (UVB) de banda estreita ou psoraleno (fotossensibilizante e estimulante da produção de melanina), associado à fototerapia com ultravioleta A.

Se não houver resposta após 20 sessões, ou o paciente apresentar alguma restrição, o passo seguinte é a introdução de medicamentos orais sistêmicos (metotrexato, acitretina e ciclosporina).

Recentemente, houve a incorporação dos chamados imunobiológicos ao Sistema Único de Saúde para tratamento da psoríase.

Os imunobiológicos são remédios mais específicos, uma vez que atuam como anticorpos, bloqueando a proteína que causa todo o desencadeamento da doença.

São os seguintes: adalimumabe, recomendado para a primeira etapa após falha da terapia padrão; secuquinumabe e ustequinumabe, recomendados para a segunda etapa, após falha da primeira; e etanercepte, recomendado após falha da terapia padrão em crianças.

Eles são aplicados por via subcutânea, assim como é aplicada a insulina, uma vez por semana, uma vez por mês ou uma vez a cada três meses.

Dessa forma, a doença, que não tem cura, pode ficar anos sem qualquer manifestação.

É importante também o paciente procurar exercer o controle do que ele considera serem os gatilhos, como por exemplo, o estresse.

Tratamentos alternativos de controle do estresse podem resultar em bons efeitos e diminuição das crises.

Além disso, a prática de atividades físicas, uma alimentação saudável, a não exposição direta ao sol em momentos que o sol está muito forte, também ajudam a saúde geral do paciente.

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