Como o Exercício Físico Ajuda a Tratar Doenças Neurológicas

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Depressão

Que exercícios físicos são bons para uma boa saúde, todos sabem. Mas você sabia que hoje eles são indicados como tratamento de doenças neurológicas, como Alzheimer e Parkinson?

As doenças neurológicas representam um grande desafio na medicina atual. Isso porque o entendimento sobre elas ainda não é grande. Portanto, seu tratamento deve iniciar o quanto antes.

O que antes se sabia sobre as doenças neurológicas era que somente alguns indivíduos as teriam, porém hoje se sabe que elas atingirão um grande número de pessoas. Principalmente porque a expectativa de vida em todo o mundo está aumentando.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2050 o número de pessoas com mais de 65 anos representará aproximadamente um terço da população mundial.

Em termos de doenças neurológicas, estima-se que 135 milhões de pessoas possam vir a desenvolver Alzheimer em até 30 anos.

Também estima-se que a depressão possa atingir mais do que as 322 milhões de pessoas que hoje atingem, devendo ser o transtorno mais incapacitante em 2020. Sendo ainda a principal causa de afastamento de pessoas do trabalho.

Os benefícios dos exercícios físicos para a saúde já são bem conhecidos. Mas que exercícios físicos atuam no tratamento das doenças neurológicas é algo que está sendo estudado e aplicado recentemente.

Vamos ver como o exercício físico atua nas diferentes doenças neurológicas mais frequentes.

Tão Importante Quanto Remédio

O exercício físico faz o cérebro trabalhar mais depressa. Além de melhorar a oxigenação do organismo, o exercício auxilia também na eliminação de radicais livres.

Com o exercício físico ocorre a neurogênese, que nada mais é do que a formação de novas células neurais.

Durante o exercício ocorre a liberação de mediadores químicos que estimulam a reprodução celular neural. E esse efeito pode permanecer por horas após a atividade física.

Além disso, a presença desses mediadores químicos melhora as conexões entre os neurônios já existentes, previne inflamações e preserva a região anterior do cérebro.

Essa região, chamada de córtex pré-frontal, é essencial para tarefas de organização e planejamento.

Além disso, o exercício físico promove a fabricação de um hormônio, denominado irisina, que consegue reverter a perda de memória, atuando na regulação do metabolismo corporal. Aí pode estar uma das saídas definitivas para o mal de Alzheimer.

Além de Alzheimer, outras condições neurológicas, como depressão e epilepsia, também tem no exercício físico a recomendação e faz parte direta do tratamento.

Alzheimer

É o tipo de demência mais frequente no Brasil, sendo caracterizado pela perda progressiva da memória.

Não se sabe ainda porque um indivíduo desenvolve essa doença, mas acredita-se que o problema está ligado a razões genéticas, estilo de vida e também ao acúmulo de proteína amilóide no cérebro.

Hoje já se sabe que o exercício físico atua diretamente na prevenção do Alzheimer, mas também atualmente se sabe que o exercício também atua na desaceleração da progressão da doença.

No caso específico do Alzheimer, exercícios físicos aeróbicos (caminhada, corrida) são os mais indicados.

Um estudo realizado por pesquisadores da UFRJ demonstrou que o hormônio irisina, quando presente, conseguiu reverter a perda de memória dos animais.

Esse hormônio é liberado pelos músculos após a atividade física. Inclusive seu nome, irisina, é homenagem à deusa Íris, mensageira, pois se acredita que esse hormônio é um "mensageiro" da atividade física.

Além disso, os pesquisadores também avaliaram se a irisina poderia ter algum efeito no sistema nervoso central. Para isso, analisaram a quantidade desse hormônio no sangue de 26 pessoas sadias, 14 com perda moderada de memória, 14 com Alzheimer, 13 com demência de outro tipo, com corpos de Lewy.

O que se observou foi que o nível de irisina no sangue era semelhante nos quatro grupos, mas a concentração do hormônio caía pela metade no líquido cefalorraquidiano das pessoas com Alzheimer e demência com corpos de Lewy.

Era um sinal de que nas doenças neurodegenerativas a concentração de irisina estaria baixa apenas no sistema nervoso central, mas normal no restante do organismo.

Observou-se também que, dos 60 aos 80 anos, o nível do hormônio aumentava no sistema nervoso das pessoas sem problemas neurológicos enquanto permanecia constante naquelas com Alzheimer.

Parkinson

Outra doença degenerativa, mas que quando afeta pessoas, está relacionada ao baixo nível de dopamina no cérebro. Já se sabe que exercícios físicos produzem dopamina no cérebro, justamente o hormônio em falta em indivíduos afetados pela doença.

Há estudiosos que recomendam a prática de exercícios físicos intensos até para pessoas em estágio avançado da doença, justamente pelos benefícios que eles causam.

Com a orientação de um profissional, treinos complexos que treinem não só a capacidade aeróbica, mas também equilibro, percepção, são extremamente importantes.

Esclerose Múltipla

Doença autoimune que acaba removendo a coordenação motora muscular. Exercícios físicos melhoram a força muscular de indivíduos acometidos por essa doença.

Epilepsia

Indivíduos com epilepsia, durante muito tempo, tinham a contraindicação de exercício físico. Hoje se sabe que é justamente o contrário. O exercício físico não é gatilho para as crises epiléticas, mesmo exercícios exaustivos não iniciam crises.

Há corredores de maratona que sofrem de epilepsia e sempre afirmam que o exercício melhora não só a capacidade de oxigenação do cérebro como diversos outros aspectos.

Exercícios físicos liberam noradrenalina e endorfina, que são neurotransmissores que protegem o cérebro, além de ativar o sistema opioide, que inibe as crises.

Atividades aeróbicas de baixa intensidade são as mais estudadas, mas mesmo outros tipos de exercícios são indicados, desde que haja sempre supervisão de profissionais durante a prática.

Depressão

Já se sabe que no caso específico da depressão, a atividade física pode até, com o tempo, reduzir ou substituir as medicações usadas em seu tratamento.

A prática de exercícios reduz a produção de cortisol, o hormônio do estresse, melhorando sensivelmente os quadros depressivos.

Todos Saem Ganhando

A atividade física só traz benefícios e não apresenta contraindicações a indivíduos com alguma patologia neurológica. Hoje, com o avanço dos estudos, já se sabe que o tratamento dessas patologias também passa pela rotina de exercícios físicos.

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